Categoria: Comportamento

Dicas para o gerenciamento da sua memória

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Depois do post sobre o WWC, diversos tradutores entraram em contato comigo falando sobre clientes que pedem a memória de tradução que eles criaram.
 

Com um pouco mais de calma, reparei que é mais comum que eu imaginava a prática de criar uma grande memória, quase um repositório, de traduções que a pessoa já fez, para que possam ser reaproveitadas nos próximos projetos, mais ou menos como acontece na tradução por máquina. Além disso, entendi que alguns clientes pedem a TM do tradutor. Não tenho certeza ainda se há uma confusão na comunicação, já que é comum o gerente de projetos pedir a TM se referindo a memória apenas daquele projeto ou cliente, pois muitas empresas não tem um engenheiro que possa administrar as TMs internamente.

 

Essa prática de manter uma memória global tem suas vantagens e desvantagens. Entre elas, o problema do falso 100%, como eu chamo, que é um 100% vindo de um contexto completamente diferente e que praticamente não pode ser aproveitado. Para evitar isso e melhorar as suas vantagens, sigo com algumas dicas:

 
 

1. Crie sempre uma memória para o projeto e/ou cliente;

 

2. Acrescente a sua memória no programa de tradução de forma secundária, mantendo as duas para consulta e atualização; porém adicione uma penalidade de pelo menos 2% na sua global, assim você sempre será obrigado a dar uma segunda olhada nas traduções sem contexto da sua TM geral, mas terá mais consistência e um melhor aproveitamento quando o segmento vier da TM do projeto/cliente;

 

3. Use fields para categorizar os diversos tipos de conteúdo da sua memória, podendo separar por tipo de material, área ou mesmo por cliente;

 

4. Para a análise e cálculo de esforço (WWC) do novo material daquele cliente, utilize apenas a TM do cliente, não a sua geral;

 

5. Não deixe seu cliente saber que você tem essa memória geral. Se ele pedir a TM, entregue a do projeto/cliente para ele. Além de a memória ser exclusivamente sua, a tradução que um cliente pagou não pode ser usada de desconto para o concorrente dele.
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Ferramenta não é tudo

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Ferramentas de localização, apesar de seus problemas, podem ser incríveis. Elas facilitam o trabalho, ajudam a manter a consistência, melhoram a produtividade e ajudam a ter mais clientes, mas tem uma coisa que elas não fazem: melhoram a qualidade do seu texto.

A ferramenta ajuda, mas o responsável pela qualidade é sempre o tradutor e o foco, a importância, que ele dá para a tradução em si. Não é coincidência que muitos dos melhores tradutores que já vi ou já trabalhei não soubessem usar ferramentas, eles estão sempre focados no texto! O contrário também acontece: bons localizers tão preocupados em aumentar a produtividade, em saber usar cada detalhe da ferramenta que o texto acaba sendo negligenciado. O aproveitamento da memória fala mais alto que a fluência do texto e o arquivo final sofre as consequências.

Não se engane, já fiz e já vi muitos gerentes deixaram de trabalhar com um tradutor por ele não ter ferramenta. Tem projetos que você não consegue fugir disso. Ela precisa ser usada, uma específica, algumas vezes na versão específica.

Saber usar bem uma ferramenta é muito importante!

O que não pode acontecer é você começar a trocar a atenção do texto pela ferramenta, achar que o F7 vai pegar todos os seus typos, a TM vai te entregar as melhores traduções, o concordance e o glossário vão garantir sua consistência e a correta inclusão das tags vão te fazer o melhor tradutor. Nenhuma ferramenta ou recurso, seja ele qual for, vai ser melhor para a qualidade do seu texto que os seus olhos.

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